16
Jul 19

Quando um dia uma pessoa te pede para sair, tu ficas surpreendida porque tu não te identificas com aquela pessoa, não encontras nada que possas ter em comum e até ali era só alguém que tu cumprimentavas cordialmente porque és educada, logo respondes que não. A pessoa pergunta porquê e tu educadamente, tentando não ferir susceptibilidades inventas qualquer coisa: que está a chover, que está sol, que o cão está doente (nem existe cão), mas a pessoa não percebe, ou faz que não percebe e tu começas a ficar cansada, e a pessoa volta a insistir e tu começas a perder a paciência e a pessoa continua a insistir e tu, às tantas, já estás capaz de ser mal educada e de responder torto para ver se se faz luz naquela cabeça desprovida de sentido de oportunidade.

Eu não consigo entender como é possivel uma pessoa não perceber que está a ser inconveniente e se tu dizes NÃO uma vez, não vai passar a ser sim dali a 5 minutos nem dali a uma semana porque simplesmente não é uma pessoa com quem tu queiras estar, lá porque a conheces e te cruzas com ela no teu dia-a-dia não tem que passar a ser tua amiga e diz-me a experiência (porque já passei por outra situação semelhante) que se tu cedes uma vez porque tens pena e afinal é só um café, ou só um copo, ou só qualquer coisa sem importância isto na cabeça da outra pessoa toma proporções gigantescas e depois é bem pior para te livrares dela.

A verdade é que é uma situação complicada e é cansativa, porque a dada altura já tiveste que bloquear o número dessa pessoa no telemóvel e começaste a escolher outros caminhos para não te cruzares com ela, simplesmente porque a pessoa não percebe que Não é Não!

publicado por acimadetudoviver às 10:47

15
Jul 19

Olá tenho 40 anos, cabelos brancos (muitos), celulite, derrames e varizes, esterias, rugas, não uso maquilhagem e vivo bem com isso. Isto quase parece conversa de um grupo de auto-ajuda mas não, sou só eu numa análise de mim mesma, sempre fui magra, nunca fiz dieta, tenho um relacionamento de amor/ódio com a comida se por um lado adoro comer, por outro lado descarrego as minhas frustações na comida (leia-se doces). 

Adoro espelhos, lembro-me de passar horas em frente ao espelho a analisar cada centímetro do meu corpo, era de tal forma minuciosa e critica que era mais o que eu não gostava em mim do que aquilo que gostava, tive que aprender a viver com o que não gostava para que os outros não percebessem, não foi fácil mas consegui. O facto de ter sido sempre magra ajudou. 

Os cabelos brancos apareceram quando eu era adolescente, sempre achei engraçado era um contraste giro pois o meu cabelo era preto, quando cheguei aos 20 anos tinha uma madeixa toda branca na franja, parecia que tinha sido pintada, agora os cabelos pretos já se perdem no meio dos brancos e não me sinto mais velha por isso, apesar de haver sempre quem ache que eu deveria pintar ou fazer madeixas porque me dá um ar mais pesado, ou quem diga que "cabelos brancos num homem é charme, numa mulher é desleixo", não acredito nisso.

A celulite e as esterias foram o resultado de uma má alimentação e de muita oscilação de peso, embora a balança nunca tivesse ultrapassado os 55 kg, a verdade é que tão depressa aumentava 3 kg como perdia 5kg. Os derrames e as varizes apareceram quando comecei a trabalhar muitas horas de pé e à medida que os anos foram passando alguns transformaram-se em varizes, tenho a sorte de não ter dores. As rugas são um dado adquirido e inevitável, pois elas representam cada ataque de riso e gargalhadas que dei e foram muitas.

Com tudo isto a conclusão só pode ser uma que é o facto de me sentir bem comigo própria, podia ser diferente, podia mas não era a mesma coisa, foram anos a viver comigo na minha pele, foram anos a aprender a gostar de mim assim, agora não consigo desperdiçar todo esse trabalho. Não há dúvida que este texto é completamente esquizofrénico, mas acho que todas as instropecções acabam por ser ter este resultado.

publicado por acimadetudoviver às 10:37

02
Jul 19

Num tempo em que cada vez mais o que conta são as aparências, são as fotografias bonitas que se colocam no facebook, pois se não está no facebook é porque não existe ou não aconteceu, para depois aparecerem os comentários a destilar veneno e a reduzir a vida das pessoas que não se conhece como se de facto aquilo que é colocado no facebook fosse o mais importante.

Enquanto isso a vida acontece e acontece de uma forma muito triste, individualista e egoísta, enquanto isso o vizinho do lado passa por necessidades básicas e ninguém percebe, ninguém vê ou ninguém quer ver e isto corroe-me por dentro. Fico desvastada quando me aparecem pessoas no início de um dia de trabalho que me perguntam se tenho um bocadinho para elas porque precisam de desabafar, porque precisam de atenção e às vezes precisam de "uma moeda" para comprar pão ou um medicamento. Tento ser imparcial, tento não interiorzar mas nem sempre consigo, aliás quase nunca consigo, é dificil ficar indiferente pois penso sempre que poderiam ser os meus, poderiam ser as minhas pessoas e eu ia gostar que alguém tivesse um pouco, um pouco de tempo para eles.

De vez em quando estes "banhos de realidade" deixam-me num misto de raiva, de desespero e de uma tristeza profunda por perceber que isto que me bate à porta quase todos os dias, porque trabalho num sítio onde infelizmente há muitas pessoas que estão sozinhas, é uma realidade cada vez maior. Quando me deparo com estas situações, não consigo deixar de pensar se estarei a dar o melhor de mim, se estarei a fazer o que é certo, se estarei a conseguir entrar no coração do meu filho para que ele não se transforme numa pessoa insensível aos outros. Eu quero acreditar que sim, eu quero acreditar que o amor é a única forma de fazer diferente.

publicado por acimadetudoviver às 10:32

27
Jun 19

Ainda não falei sobre a minha ida à feira do Livro, ir à feira do Livro para mim é um clássico, não que fosse um sítio que eu estava habituada a ir desde tenra idade, mas desde que "aprendi o caminho para lá" tento ir todos os anos, sobretudo desde que o meu filho ganhou o gosto pelos livros.

O que aprecio sobretudo nesta feira é o facto de muitas vezes estarem presentes autores que eu nunca ouvi falar, ou porque os temas sobre os quais escrevem não são temas que eu aprecio ou porque alguns deles para mim seriam "não autores", sem desprestígio para os mesmos, mas há pessoas que ao ganharem alguma notoriedade, derepente estão a escrever livros e são apelidados de escritores, o que me entristece um pouco. No caso de autores que eu desconhecia às vezes é interessante ouvir porque se aprende sempre qualquer coisa, há sempre um dado novo sobre um tema que ainda não se tinha pensado. No que eu apelido de "não autores" é ver uma multidão de gente em volta deles para tirar fotografias porque interesse no que eles escreveram muitas vezes não é nenhum.

Este ano também fiquei admirada com a quantidade de nutricionistas que estavam lá a apresentar os seus livros e é outro fenómeno que eu considero interessante, não tenho nada contra os nutricionistas, acho até que é importante muitas vezes ajuda-nos a conhecer o nosso organismo e conseguimos perceber que tipos de alimentos nos fazem outros e os alimentos que nos prejudicam. Mas não deixo de considerar curioso porque cada vez existem nutricionistas que seguem outros tipos de alimentação que não a dieta mediterrânea, sobretudo a alimentação vegan e paleo e do meu ponto de vista estes tipos de alimentação são muito específicos poque implicam também um modo de vida diferente, ou então sou eu que não consigo dissociar uma coisa da outra. Eu tinha 20 anos quando li pela primeira vez o que era o veganismo e a sua alimentação, daí eu ter ficado com a ideia de que no fundo não é mais do que uma filosofia de vida.

Bom à parte as minhas teorias, para mim a feira do livro continua a ser um passeio  que vale a pena, não só pela localização como também por tudo que é possivel ver hoje em dia na feira do Livro, há sempre coisas a acontecer e que vão despertando o interesse dos mais novos. Com o meu filho chego a subir e descer o recinto da feira mais do que uma vez e vamos 2 ou 3 vezes a stands que já tinhamos visitado porque há sempre algo que lhe desperta a atenção e ele precisa de ver melhor.  

 

publicado por acimadetudoviver às 16:51

03
Jun 19

Como pessoa aficcionada por letras, ou melhor, conjuntos de letras que formam textos e que por sua vez dão origem a jornais, revistas e livros durante muitos anos coleccionei revistas e jornais de tal forma que quando saí de casa da minha mãe foram precisas várias viagens até ao ecoponto mais próximo para me livrar de todo aquele papel. Os temas eram os mais variados desde revistas de música e revistas de adolescente, era impressionante eu comprava tudo o que aparecia no mercado e desaparecia também porque muitas já não existem, até jornais desportivos que eu coleccionava avidamente por causa do "meu Sporting", verdade, sofrimento até ao fim! Até mesmo o jornal do meu coração que era o extinto Independente e que eu adorava da 1ª página até ao fim, com especial destaque claro, para a crónica do Miguel Esteves Cardoso.

Ora, numa altura em que eu alternava entre revistas de entretenimento e as chamadas revistas femininas com especial destaque para a revista Cosmopolitan, numa altura, talvez há 20 anos ou um pouco mais, começavam a surgir artigos nas ditas revistas que tinham títulos muito sugestivos: "20 coisas que precisas saber para encontrares o amor da tua vida", " 10 coisas que te mostram que ele  não está interessado em ti", "15 coisas que precisas para ser feliz", e por aí fora. Os artigos das ditas revistas femininas passaram a transformar-se em autênticas listas, quase parecidas às listas de supermercado e que bem analisadas despertam alguma curiosidade, e a dúvida sempre surgiu na minha cabeça será que quem escreve estes textos alguma vez os  testou ou limitou-se a debitar uma série de diparates só mesmo para iludir os mais fracos de espírito, melhor será que quem leu estes artigos algumas vez fez o que ditavam as tais listas ou conseguiu pensar pela sua própria cabeça? 

Dúvidas, muitas dúvidas! 

Hoje lembrei-me disto porque ao fazer uma breve pesquisa por várias revistas ainda existentes no mercado, esta história das listas continua a estar presente nas revistas femininas, por isso é um tema que vende, sem dúvida e eventualmente apreciado pelos leitores, mas não deixa de ser intrigante, o porquê de ter que haver uma série de items supostamente importantes para se ser feliz, pois o que fará sentido para determinadas pessoas não o fará para outras dado que somos todos diferentes.

publicado por acimadetudoviver às 14:38

31
Mai 19

Hoje faz 12 anos que eu soube que estava grávida, faz 12 anos que eu não sabia o que sentir, faz 12 anos que a primeira sensação que tive foi medo, faz 12 anos que saí do consultório do obstreta em Lisboa e até chegar a casa não consegui assimilar o que estava a acontecer. 

Foi um amor que foi crescendo um bocadinho todos os dias e foi preenchendo a minha vida (não só em tamanho) até se tornar na minha pérola mais perfeita e valiosa, aprendi a amar aquele ser todos os dias e de uma maneira que eu não sabia ser possível, descobri ao longo de 8 meses e meio que este é um amor diferente, é um amor que não tem prazo de validade, que não se transforma noutro sentimento, não se mascara e transforma-nos enquanto ser humano passamos a sentir tudo de maneira diferente desde o que é bom e nos faz feliz ao que é menos bom e nos deixa triste.

Hoje faz 12 anos que eu vi pela primeira vez um "feijão" de 7cm que entretanto cresceu, nasceu e se transformou num rapaz lindo, maravilhoso e todos os dias me ensina a ser uma pessoa melhor e com a certeza que é o meu melhor projecto de vida.  

publicado por acimadetudoviver às 09:00

28
Mai 19

Este blog devia mudar de nome e passar a chamar-se "Blog da Divorciada Desesperada" em modo alegoria, é claro, mas eu já abordei este tema tantas vezes, que parece que se tornou numa obssessão minha, mas não é.

A questão é que a separação ou divórcio é um  assunto continua ainda a dar azo a muita especulação, e digo "continua ainda" porque quando um casal se separa as pessoas que estão à volta tem necessidade de tomar partido, é quase como se fosse uma competição, não conseguem ser imparciais e deixar que os intervenientes resolvam as suas diferenças sem se intrometerem, sem dar palpites.

Esta é uma situação delicada, as pessoas estão fragilizadas e precisam apoio, e às vezes que está por perto o que pretende é saber os promenores e quanto mais sórdidos melhor, tem de haver sangue e muitas lágrimas, porque se isso não acontecer parece que já niguém consegue entender e saber de qual das partes deve tomar partido.

As lágrimas eu consigo entender e fazem parte do processo, pois afinal são 2 vidas que terminam um contrato que se inviabilizou, isto escrito desta forma até pode parecer estranho e desprovido de qualquer sentimento, mas não é, isto vem de uma pessoa que já teve a sua dose de separações direta e indiretamente e de quem teve que lutar muito para não se transformar numa pessoa amarga e de mal com a vida. Isto não é nada mais do que a minha forma pragmática de ver a situação e compreendo bem tudo aquilo que as pessoas envolvidas sentem e cada um tem o seu tempo, e sei que inicialmente não é fácil mas o que há a fazer é aprender a viver o melhor possível com aquilo que a vida nos apresenta.

 

 

publicado por acimadetudoviver às 10:09

15
Mai 19

Como diz a canção "...acho que o universo se uniu para me tramar...", eu tenho impressão que existe alguma coisa no tal do universo que determina em algumas alturas do ano me por à prova para ver se consigo superar todos os obstáculos. A questão é: os obstáculos são difíceis e por vezes apetece-me atirar a toalha ao chão porque quando eu acho que já consegui resolver tudo, eis que acontece mais alguma coisa e as situações surgem em catadupa e eu começo a pensar onde é que eu vou buscar energia para tratar de tudo.

Quando eu era miúda eu costumava dizer que gostava de ser invisível, porque assim passava despercebida, nunca consegui. E agora, adulta começo a desejar cada vez mais isso, mas acho que já não vou a tempo, o universo já se habituou a presentear-me com todo o tipo situações difíceis.

Uma vez disseram-me que " Deus só nos dá o peso do fardo que somos capazes de carregar", eu já na altura não gostei muito da metáfora, e com o passar do tempo sinto-me com menos capacidade de ir carregando fardos que não são meus. 

publicado por acimadetudoviver às 15:09

03
Mai 19

Os anos, os meses, os dias, as horas, os minutos e segundos passam demasiado depressa e quando te dás conta o que não fizeste hoje porque acreditas que amanhã poderás fazer e ainda vais a tempo é mentira, o que perdes hoje, amanhã já não dá para recuperar, os sentimentos já não vão ser os mesmos. Isto para dizer que cada vez mais vivemos freneticamente e mesmo assim não conseguimos chegar a todo o lado, não conseguimos estar com todas as pessoas de que gostamos e não conseguimos fazer o que nos dá prazer e entusiasmo.

A solução seria abrandar o ritmo, viver de maneira a que quando chegarmos ao fim da linha tenhamos a certeza de que não deixamos nada por fazer. A realidade é que a sociedade em que vivemos nos exige mais do que aquilo que nos dá, ou seja, temos que estar em todo lado, saber o que está a acontecer no mundo e viver ao minuto,quase como se fossemos omnipresentes, em contra partida o que nos sobra é isolamento porque para fazermos isto tudo não precisamos sair de casa, falso comodismo pela mesma razão e uma solidão imensa porque se virmos bem o que é que a "omnipresença" traz...solidão...muita, nós não conseguimos se quer nos relacionarmos e a prova disso são os sites de encontros (nada contra para quem utiliza), mas continuo a gostar mais de interagir com pessoas.

publicado por acimadetudoviver às 11:35

24
Abr 19

No meu dia-a-dia lido com as emoções das pessoas no seu estado puro, ou seja, quando uma pessoa é confrontada com a perda de alguém que lhe é próximo reage das mais variadas maneiras e eu já assisti a tudo um pouco. Desde quem não é capaz de verter uma única lágrima até a quem chora e grita como se de uma tragédia grega se tratasse, ou até mesmo quem utilize este mesmo estragema apenas para fingir um sentimento.

Tento em qualquer caso ser imparcial e apenas apoiar quem passa por uma situação pela qual eu ainda não passei, não é fácil, "calçar" os sapatos do outro e tentar "sentir" o que a outra pessoa está a sentir, é díficil, porque a perda de alguém que faz parte da nossa vida é algo que não se consegue reproduzir em palavras, não no momento em que acontece. Menos é mais e o que eu me limito a fazer é apenas estar, é pronunciar-me o menos possível e evitar frases feitas, ou seja dizer qualquer coisa que para quem está em sofrimento não vai ajudar em nada.

Quando comecei a trabalhar na área funerária não foi fácil, e  ver alguém em sofrimento não é bonito de se ver, e eis que surgem as dúvidas "o que  fazer?", "o que dizer?", "como ajudar?" e aquilo que fui fazendo serviço após serviço e uma vez que todas as pessoas são diferentes, foi tentar analisar cada pessoa, tentando perceber a melhor forma de lhe chegar ao coração sem invadir os seus sentimentos e sobretudo respeitando a sua dor.

Por isso quando me perguntam como é que eu consigo trabalhar na área funerária eu respondo que o dificil é lidar com o sofrimento das pessoas, o resto é trabalho, mas a dor de alguém é algo dificil de reproduzir.

publicado por acimadetudoviver às 15:19

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