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acimadetudoviver

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Dizer Não!

16.07.19, acimadetudoviver

Quando um dia uma pessoa te pede para sair, tu ficas surpreendida porque tu não te identificas com aquela pessoa, não encontras nada que possas ter em comum e até ali era só alguém que tu cumprimentavas cordialmente porque és educada, logo respondes que não. A pessoa pergunta porquê e tu educadamente, tentando não ferir susceptibilidades inventas qualquer coisa: que está a chover, que está sol, que o cão está doente (nem existe cão), mas a pessoa não percebe, ou faz que não percebe e tu começas a ficar cansada, e a pessoa volta a insistir e tu começas a perder a paciência e a pessoa continua a insistir e tu, às tantas, já estás capaz de ser mal educada e de responder torto para ver se se faz luz naquela cabeça desprovida de sentido de oportunidade.

Eu não consigo entender como é possivel uma pessoa não perceber que está a ser inconveniente e se tu dizes NÃO uma vez, não vai passar a ser sim dali a 5 minutos nem dali a uma semana porque simplesmente não é uma pessoa com quem tu queiras estar, lá porque a conheces e te cruzas com ela no teu dia-a-dia não tem que passar a ser tua amiga e diz-me a experiência (porque já passei por outra situação semelhante) que se tu cedes uma vez porque tens pena e afinal é só um café, ou só um copo, ou só qualquer coisa sem importância isto na cabeça da outra pessoa toma proporções gigantescas e depois é bem pior para te livrares dela.

A verdade é que é uma situação complicada e é cansativa, porque a dada altura já tiveste que bloquear o número dessa pessoa no telemóvel e começaste a escolher outros caminhos para não te cruzares com ela, simplesmente porque a pessoa não percebe que Não é Não!

Viver com os Defeitos

15.07.19, acimadetudoviver

Olá tenho 40 anos, cabelos brancos (muitos), celulite, derrames e varizes, esterias, rugas, não uso maquilhagem e vivo bem com isso. Isto quase parece conversa de um grupo de auto-ajuda mas não, sou só eu numa análise de mim mesma, sempre fui magra, nunca fiz dieta, tenho um relacionamento de amor/ódio com a comida se por um lado adoro comer, por outro lado descarrego as minhas frustações na comida (leia-se doces). 

Adoro espelhos, lembro-me de passar horas em frente ao espelho a analisar cada centímetro do meu corpo, era de tal forma minuciosa e critica que era mais o que eu não gostava em mim do que aquilo que gostava, tive que aprender a viver com o que não gostava para que os outros não percebessem, não foi fácil mas consegui. O facto de ter sido sempre magra ajudou. 

Os cabelos brancos apareceram quando eu era adolescente, sempre achei engraçado era um contraste giro pois o meu cabelo era preto, quando cheguei aos 20 anos tinha uma madeixa toda branca na franja, parecia que tinha sido pintada, agora os cabelos pretos já se perdem no meio dos brancos e não me sinto mais velha por isso, apesar de haver sempre quem ache que eu deveria pintar ou fazer madeixas porque me dá um ar mais pesado, ou quem diga que "cabelos brancos num homem é charme, numa mulher é desleixo", não acredito nisso.

A celulite e as esterias foram o resultado de uma má alimentação e de muita oscilação de peso, embora a balança nunca tivesse ultrapassado os 55 kg, a verdade é que tão depressa aumentava 3 kg como perdia 5kg. Os derrames e as varizes apareceram quando comecei a trabalhar muitas horas de pé e à medida que os anos foram passando alguns transformaram-se em varizes, tenho a sorte de não ter dores. As rugas são um dado adquirido e inevitável, pois elas representam cada ataque de riso e gargalhadas que dei e foram muitas.

Com tudo isto a conclusão só pode ser uma que é o facto de me sentir bem comigo própria, podia ser diferente, podia mas não era a mesma coisa, foram anos a viver comigo na minha pele, foram anos a aprender a gostar de mim assim, agora não consigo desperdiçar todo esse trabalho. Não há dúvida que este texto é completamente esquizofrénico, mas acho que todas as instropecções acabam por ser ter este resultado.

A Indiferença Mata

02.07.19, acimadetudoviver

Num tempo em que cada vez mais o que conta são as aparências, são as fotografias bonitas que se colocam no facebook, pois se não está no facebook é porque não existe ou não aconteceu, para depois aparecerem os comentários a destilar veneno e a reduzir a vida das pessoas que não se conhece como se de facto aquilo que é colocado no facebook fosse o mais importante.

Enquanto isso a vida acontece e acontece de uma forma muito triste, individualista e egoísta, enquanto isso o vizinho do lado passa por necessidades básicas e ninguém percebe, ninguém vê ou ninguém quer ver e isto corroe-me por dentro. Fico desvastada quando me aparecem pessoas no início de um dia de trabalho que me perguntam se tenho um bocadinho para elas porque precisam de desabafar, porque precisam de atenção e às vezes precisam de "uma moeda" para comprar pão ou um medicamento. Tento ser imparcial, tento não interiorzar mas nem sempre consigo, aliás quase nunca consigo, é dificil ficar indiferente pois penso sempre que poderiam ser os meus, poderiam ser as minhas pessoas e eu ia gostar que alguém tivesse um pouco, um pouco de tempo para eles.

De vez em quando estes "banhos de realidade" deixam-me num misto de raiva, de desespero e de uma tristeza profunda por perceber que isto que me bate à porta quase todos os dias, porque trabalho num sítio onde infelizmente há muitas pessoas que estão sozinhas, é uma realidade cada vez maior. Quando me deparo com estas situações, não consigo deixar de pensar se estarei a dar o melhor de mim, se estarei a fazer o que é certo, se estarei a conseguir entrar no coração do meu filho para que ele não se transforme numa pessoa insensível aos outros. Eu quero acreditar que sim, eu quero acreditar que o amor é a única forma de fazer diferente.