Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

acimadetudoviver

acimadetudoviver

Alimentação Saudável

16.02.16, acimadetudoviver

Não me lembro de se falar tanto em alimentação saudável como nos últimos 10 anos ( eu escrevo isto e parece uma eternidade), é cada vez mais uma preocupação das pessoas em geral. Eu lembro-me de ser adolescente e de começar a aparecer as primeiras hamburguerias em Almada, foi um acontecimento, marcavamos almoços e lanches entre amigos, lembro-me quando abriu o primeiro Mac Donalds em Lisboa, e a primeira Pizza Hut, lembro-me quando apareceram as primeiras pizzarias com entregas em Almada, era sinal de progresso, não se falava em obesidade mórbida, nem em obesidade infantil isso era coisa dos Americanos.

Eu sempre fui magra, sempre comi bem, nunca engordei, mas com o início da adolescência começaram os disparates alimentares, deixei de comer a horas certas, passei a comer só quando thinha fome ou não, passei a fazer longos períodos de jejum, felizmente nunca cheguei ao ponto de ser prejudicial para a minha saúde, mas volta e meia lá andava eu a vitaminas passadas pelo médico, coisa que eu sempre detestei.

Quando na década de 90 se começou a ouvir falar em anorexia e bulimia, eu achava que era coisa de modelos que era algo que eu nunca tinha ambicionado, entretanto uma reportagem numa revista sobre o assunto veio-me parar às mãos e quando começo a ler os principais indicios de bulimia revejo-me em algos pontos, o único que nunca sucedeu foi o provocar o vómito, de resto estava lá tudo. O comer compulsivamento tudo o que aparecesse pela frente, o esconder da minha mãe os sucessivos lanches, a perda de apetite nas principais refeições, os longos jejuns como forma de purga e depois de tudo isto uma enorme tristeza, e claro para finalizar houve mesmo um tempo em que eu achava que estava gorda, devido às calorias ingeridas, mentira.

Acordei, quando um verão a minha irmã me disse que um fato de banho me desfavorecia por estar tão magra, pesava 45 kg.

Nunca falei deste assunto com ninguém, por ser um flagelo recente quase ninguém dava por nada, não se sabia muito sobre o assunto, começei então a policiar-me e a tentar comer como deve ser, consegui por algum tempo, com 17 anos consegui  chegar aos 50 kg, foi sol de pouca duração em menos de nada voltou tudo ao que era antes, os nervos por causa dos exames nacionais foram a desculpa que eu precisava para voltar a fazer os disparates todos outra vez. E assim continuei, quando começei a trabalhar, como trabalhava por turnos era mais uma desculpa para não comer como deve ser e depois atacar o frigorifico a desoras.

Consegui finalmente entrar nos eixos  quando decidi começar a fazer desporto e a ir ao ginásio com regularidade, foi de facto a altura em que me senti melhor, até mesmo psicologicamente pois deixei de me sentir culpada, sem a sensação de estar a fazer algo que estava errado.

Quando engravidei tive vontade de voltar ao mesmo, devido a situações menos boas na altura, mas o facto de pensar no meu filho fez-me ter juízo, mas depois de ele nascer e de eu deixar de amamentar eis que o pesadelo regressa, em 3 semanas perdi 10 kg, pesava com 30 anos 44 kg, foi horrível, foi duro, foi dificil recuperar.

Levei 2 anos para voltar a pesar 50 kg, entretanto à alturas em que me vou a baixo e a minha alimentação volta a sofrer com isso, quando consigo introduzir a prática do desporto, consigo equilibrar a balança, quando isso não acontece desmorona tudo, é muito fácil para mim estar muito tempo sem comer e depois "atacar" o que aparecer pela frente.

Isto tudo para dizer que eu tenho uma verdadeira obssessão por uma alimentação saúdavel, sobretudo em relação ao meu filho, mas em relação a mim nem sempre consigo colocá-la em prática, o pior é aquela sensação e certeza de que o que eu estou a fazer está errado, mas não consigo deixar de fazer. Os alimentos calóricos saciam mais rapidamente mas depois aquela sensação de culpa é terrível e depois lá se fica mais 4 ou 5 horas sem comer para compenssar, como se isso resolvesse alguma coisa, só serve para me sentir pior, porque depois fico em tensão a dizer para mim mesma "não podes comer, não podes comer", quando o que eu não devo comer é alimentos processados e altamente calóricos, e o que devo comer é alimentos que me saciem e não façam mal à saúde.

A teoria eu conheço-a bem, mas a prática é bem diferente, isto é quase como alguém viciado em drogas ou alcool ou tabaco, sabe-se que faz mal mas volta-se sempre.

Aqui fica a confissão de uma bulimíca com cosnciência dos disparates muitas vezes diários e em recuperação constante, espero que o facto de o ter escrito seja mais fácil de recuperar, pelo menos desta vez, pois já tenho idade para ter juízo.