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acimadetudoviver

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Listas

03.06.19, acimadetudoviver

Como pessoa aficcionada por letras, ou melhor, conjuntos de letras que formam textos e que por sua vez dão origem a jornais, revistas e livros durante muitos anos coleccionei revistas e jornais de tal forma que quando saí de casa da minha mãe foram precisas várias viagens até ao ecoponto mais próximo para me livrar de todo aquele papel. Os temas eram os mais variados desde revistas de música e revistas de adolescente, era impressionante eu comprava tudo o que aparecia no mercado e desaparecia também porque muitas já não existem, até jornais desportivos que eu coleccionava avidamente por causa do "meu Sporting", verdade, sofrimento até ao fim! Até mesmo o jornal do meu coração que era o extinto Independente e que eu adorava da 1ª página até ao fim, com especial destaque claro, para a crónica do Miguel Esteves Cardoso.

Ora, numa altura em que eu alternava entre revistas de entretenimento e as chamadas revistas femininas com especial destaque para a revista Cosmopolitan, numa altura, talvez há 20 anos ou um pouco mais, começavam a surgir artigos nas ditas revistas que tinham títulos muito sugestivos: "20 coisas que precisas saber para encontrares o amor da tua vida", " 10 coisas que te mostram que ele  não está interessado em ti", "15 coisas que precisas para ser feliz", e por aí fora. Os artigos das ditas revistas femininas passaram a transformar-se em autênticas listas, quase parecidas às listas de supermercado e que bem analisadas despertam alguma curiosidade, e a dúvida sempre surgiu na minha cabeça será que quem escreve estes textos alguma vez os  testou ou limitou-se a debitar uma série de diparates só mesmo para iludir os mais fracos de espírito, melhor será que quem leu estes artigos algumas vez fez o que ditavam as tais listas ou conseguiu pensar pela sua própria cabeça? 

Dúvidas, muitas dúvidas! 

Hoje lembrei-me disto porque ao fazer uma breve pesquisa por várias revistas ainda existentes no mercado, esta história das listas continua a estar presente nas revistas femininas, por isso é um tema que vende, sem dúvida e eventualmente apreciado pelos leitores, mas não deixa de ser intrigante, o porquê de ter que haver uma série de items supostamente importantes para se ser feliz, pois o que fará sentido para determinadas pessoas não o fará para outras dado que somos todos diferentes.